O jardim fornece a inspiração. A Primavera fornece o momento. O Reid’s Palace, A Belmond Hotel, aproveitou a tradicional Festa da Flor da Madeira, para apresentar uma nova carta de cocktails no 1891 Bar.
Concebida para valorizar a flora da Madeira, os produtos locais e a criatividade da equipa, o 1891 Bar, celebra o ano de fundação do hotel através de um conceito botânico que integra ervas aromáticas, flores e frutas endémicas da ilha.
Joel Quintal, responsável pela equipa, explica à Essential que a inspiração para a nova carta surgiu diretamente do jardim do hotel: “Todos os nossos cocktails foram pensados com os elementos botânicos que nós temos no nosso Jardim. Podemos encontrar manjericão, funcho, caninha, tomilho, entre muitas outras coisas. Esta carta foi pensada também para a altura de verão, todos os cocktails são extremamente refrescantes, e foi um pouco nisso que nós nos baseámos.”
Apesar de manter alguns dos best-sellers da lista anterior, como o Bis-Bis e o Madeira Negroni, a nova carta inclui sete cocktails completamente novos, todos concebidos para refletir a ligação à Madeira e à sua flora. Joel Quintal sublinha a importância de trabalhar com produtos locais e frescos: “Tentamos trabalhar com o produto mais local. Tentamos optar por espirituosos que sejam cá da nossa ilha, como o rum, ou o gin, entre outros. E outras bebidas que apesar de não serem cá da ilha, têm alguma coisa a ver connosco, como o Per Se, que é português”. Para a criação dos cocktails, Joel Quinta explica que a escolha vai para o uso “do máximo de fruta fresca. Nenhum dos nossos cocktails leva purés artificiais, tentamos sempre trabalhar com a fruta o mais fresca possível, o que faz uma grande diferença na hora de gostar do cocktail.”
Sustentabilidade e aproveitamento máximo dos ingredientes são também pilares da nova carta. Joel explicou, por exemplo, a criação do cocktail The Scone, inspirado no serviço de chá da tarde: “Temos algumas sobras de scones e creme que não puderam ir para a mesa. Decidimos agarrar nesses restos, fazemos uma infusão com whisky e bourbon e aplicamos a técnica do fat wash, em que colocamos o whisky mais o scone e o creme no congelador, forma-se uma capa de gordura que depois filtramos e temos o nosso cocktail.” O The Scone é servido na louça do chá da tarde e acompanhado de um doce de frutos vermelhos, permitindo que o cliente ajuste a intensidade do álcool ou a doçura conforme vai bebendo, transformando a bebida numa experiência interativa.
Outro exemplo da criatividade da equipa é o cocktail Zero Km, que nasce de uma abordagem sustentável à produção de bebidas. “Fazemos uma infusão de rum da Madeira com a polpa do ananás, mas depois aproveitamos as cascas para fazer uma fermentação com pêssego, gengibre, canela, água e açúcar durante dois dias. O resultado é um cocktail à base de fermentação, muito interessante e sustentável.”
A ligação à Madeira e à natureza também se reflete no cocktail Pico, inspirado nas serras da ilha, que combina eucalipto, aguardente e vinho Madeira. “Fazemos uma espécie de crosta de doce que vai à mesa e partimos, o que dá um certo show ao cocktail,” explica Joel. Este cuidado com a apresentação e o mise-en-scène é uma marca do 1891 Bar: “O cliente não vem só para tomar um cocktail, vem para uma experiência completa. Cada cocktail é servido a pensar na expectativa do nosso cliente, com técnicas e show que transformam a bebida numa memória inesquecível.”
A abordagem da carta reflete também tendências contemporâneas na arte dos cocktails, com menos açúcar e bebidas de menor teor alcoólico, respondendo às preferências do público: “Agora focamo-nos um pouco mais nesse sentido, porque a tendência é os clientes procurarem cocktails menos alcoólicos. Já temos alguns cocktails identificados como de baixo teor alcoólico, e cada vez mais a procura por cocktails sem álcool aumenta. Antigamente, os cocktails sem álcool pareciam tutti-frutti. Hoje em dia, são pensados para quem não bebe álcool, mas gosta do sabor e daquela parte amarga. Criámos, por exemplo, o Lapsang Refresh, um cocktail à base de gin sem álcool com infusão de chá defumado, água tónica, que parece um Negroni fumado.”
O trabalho de conceção da carta é fruto de um esforço de equipa, que combina experiência, criatividade e identificação com a ilha. Joel Quintal sublinha a importância das raízes e da ligação à Madeira: “O cocktail é da equipa. Mas eu puxei um pouco a minha raiz madeirense, porque toda a minha família é da ilha, com ligações ao campo e aos produtos locais. Todos os barmans da equipa se identificaram com essa história.”
Com esta nova carta, o 1891 Bar reafirma refresca a oferta, mantendo-se um lugar de referência, que a partir do fim da tarde, após o chá, tira partido do famoso terraço Reid’s Palace, com vistas sobre a baía do Funchal. Há também dias com música ao vivo e um ambiente cosmopolita e acolhedor.

