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Um museu da luz

A Casa da Luz revela como a eletricidade chegou à Madeira e começou por iluminar as ruas e casas, primeiro do Funchal, depois de todo o arquipélago

Autoria Cláudia Caires Sousa|Fotos Miguel Nóbrega

Os madeirenses chamam este museu de Casa da Luz. É um ponto de referência no Funchal e alberga um património que narra toda a história da eletricidade da Madeira. O nome vem da função para a qual o primitivo edifício foi construído, no século XIX.

No museu, além de todo o espólio, há factos interessantes e curiosidades por conhecer. Por exemplo, é possível ver em exposição, numa vitrina no segundo piso, um dormiphone, um dispositivo que as gerações mais novas desconhecem.

Luísa Garrido, diretora do Museu da Eletricidade, explica: “Os ingleses utilizavam-no para gravar os discursos que queriam dominar em português. Podiam, através do relógio, programar para ativar no horário pretendido. Enquanto dormiam ouviam a gravação e por isso se chama de ‘dormiphone’. Era utilizado como um treinador de memória para adquirir a Língua Portuguesa.”

Dércia Silva é quem conduz esta viagem ao passado. Conta com quase 30 anos de experiência, como guia. Diariamente orienta os visitantes por 2.000 metros de exposição de arquitetura moderna, com objetos, maquetas, meios audiovisuais e documentos escritos. As animações tornam a aprendizagem mais fácil e interativa, quer para escolas, turistas ou para os próprios madeirenses.

A guia começa por explicar que o edifício foi originalmente construído pela empresa inglesa The Madeira Electric Lighting Company, que recebeu em 1895 autorização da Câmara Municipal do Funchal para instalar a primeira central elétrica. Foi ali que, em 19 de julho de 1897, o Funchal recebeu a sua primeira iluminação pública elétrica. A central funcionou até 1989, quando deixou de conseguir acompanhar as necessidades da cidade.

“No centro do Funchal, não havia espaço para crescer, havia ruído, poluição”, explica Dércia Silva. A produção foi então transferida para a Central Térmica da Vitória, em Câmara de Lobos, e o edifício transformado em museu em 1997, para celebrar os 100 anos de eletricidade na ilha.

O percurso inicia-se com a evolução da iluminação antes da eletricidade. Dércia Silva aponta os primeiros candeeiros a azeite, usados a partir de 1847, quando o Funchal tinha apenas três lanternas públicas, número que mais tarde cresceu para 70. Em 1866 surgem os candeeiros a petróleo, que substituem o azeite por serem “mais limpos, mais eficientes e darem mais luz”.

A visita revela detalhes curiosos que foram preservados. Alguns dos candeeiros mais antigos podem ainda ser vistos em espaços públicos da cidade, como o Liceu Jaime Moniz ou o Jardim Municipal. Outro detalhe preservado são os apoios em candeeiros altos, onde os funcionários se equilibravam para acender manualmente as luzes todas as noites. Estes elementos mostram como a produção de eletricidade estava intimamente ligada à vida quotidiana da cidade.

A exposição explica ainda como a produção, transporte e distribuição da eletricidade evoluíram na ilha. Dércia Silva mostra maquetes das centrais hídricas e térmicas. “Temos aqui a nossa central da Vitória, que é a maior, e é onde tudo se gera. É um ponto sensível da nossa ilha, e a capacidade de produzir e gerir a eletricidade é enorme.”

As energias renováveis também têm destaque na visita. Os alunos e visitantes podem ver modelos interativos de energia solar, eólica e hídrica. “Temos painéis fotovoltaicos que alimentam pequenos modelos, como um comboio em miniatura. É visual e didático, e ajuda os alunos a perceberem a importância das energias renováveis e não renováveis”, explica Dércia Silva.

Os visitantes podem experimentar gerar eletricidade ao sentarem-se numa bicicleta ou ao observar mini-aerogeradores,  uma forma de aprender como a energia se transforma.

A abertura à sociedade é também uma realidade, através do auditório, onde se realizam diversos eventos. O museu organiza também exposições temporárias. Coleções de arte e objetos históricos podem ser aqui expostos pelos seus colecionadores. “Recebemos muitos pedidos. Analisamos cada um deles e o interesse da coleção. O ano de 2026 já está quase fechado”, finaliza Luísa Garrido.

www.museucasadaluz.pt

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