Foi há mais de uma década, em novembro de 2008, que pela primeira vez escrevi um artigo a associar estrelas Michelin à Madeira. Nessa altura, ainda o guia era Espanha & Portugal, o restaurante Il Gallo D’Oro conseguia a proeza de ser o primeiro na Madeira a conquistar a distinção, que figurou, no guia de 2009. Benoît Sinthon e a equipa foram pioneiros e depois seguiram-se o William, no Reid’s Palace, a segunda estrela para o Il Gallo D’Oro e a Estrela Verde, e mais recente o Desarma, pela mão do Chefe Octávio Freitas.
Outros restaurantes foram figurando no guia, ao longo dos anos, como recomendados, ou com o galardão Big Gourmand. A ideia das estrelas e as conversas sobre restaurantes entraram no léxico dos apreciadores de lifestyle e de gastronomia mas, acima de tudo, a Madeira entrou numa elite da cozinha, através de uma grande chancela mundial.
Para o destino foi o prémio ao trabalho de renovação da cozinha madeirense e da reinterpretação dos seus produtos, feito por chefes como Benoît Sinthon, Yves Gautier, Luís Pestana ou Carlos Magno, ou mais recentemente Octávio Freitas, entre vários outros.
É por isso que a realização da Gala Michelin 2026 na Madeira tem um múltiplo significado. Por um lado é normal que, sendo a ilha um dos principais destinos turísticos portugueses, acolhesse o evento. Mas por outro lado, é o reconhecimento de que a Madeira está no mapa gastronómico, de que aqui acontecem coisas interessantes e de que a viagem por muitos dos restaurantes vale a pena.
A gala da próxima terça-feira, 10 de março, vai fazer o que as anteriores fizeram: Revelar a constelação Michelin em Portugal, para este ano. Mas no caso concreto da Madeira, a vinda de tantos chefes e equipas, a visibilidade que garante, a exposição da comida com um toque madeirense no jantar que se segue, vão fazer muito muito pelo destino em termos promocionais. Mesmo que na terça-feira os restaurantes distinguidos na Madeira sejam mais ou menos os mesmos do ano passado, a realização da gala é uma validação.
Claro que pode haver novidades e algumas certezas. Os restaurantes estrelados deverão continuar a ser reconhecidos. Mas pode haver a novidade de a algum deles ser atribuída mais uma estrela. Os recomendados também deverão, de um modo geral, manter as distinções, mas a novidade pode ser novas entradas, ou a passagem de algum deles a estrelado. O potencial existe, e há trabalho feito. O reconhecimento é uma questão de tempo.
Mas o que resulta destas distinções, para as equipas que as conseguem, é um espírito de união. Tem havido jantares colaborativos. Os chefes unem-se em eventos, trocam experiências, apoiam-se mutuamente. Este ‘efeito Michelin’ é bonito de acompanhar e tem produzir resultados, na qualidade da experiência ao cliente e na visibilidade da cozinha e dos restaurantes da Madeira.
Esperemos que assim continue!

