Começou por ser o desejo de um casal em ter um espaço que, sendo um restaurante, tivesse uma operação baseada em eventos e refeições por marcação. Adrianne Zino e Filipe Janeiro já tinham sentido a pressão de trabalhar numa grande cidade como Lisboa e quase não se viam. E depois viajaram pelo Mundo e foram experimentar a calma da vida na Nova Zelândia.
Mas depois da Covid-19 a Madeira, de onde Adrianne é natural, pareceu ser o cenário natural para o passo seguinte. Os pais de Adriane cederam um espaço que servia para arrumos, o Gazebo, na quinta da família. E assim nasceu o restaurante que utilizou o nome Gazebo e adicionou a palavra Experience.
E começou como se tinha proposto. O chefe em casa, jantares temáticos, divulgação boca-a-boca. Só que quem vinha gostava, e recomendava. E a fama foi crescendo. Em 2025 o Gazebo Experience entrou para o Guia Michelin como um restaurante recomendado e a responsabilidade aumentou. Nessa altura já era cada vez mais um restaurante de serviço convencional, com menus de degustação ou à la carte. Mas foi mantendo alguns eventos.
Um deles é o Silent Beats, que teve a terceira edição apenas dois dias depois de o Gazebo Experience ter visto renovada a confiança da Michelin. Os participantes jantam com auscultadores, onde ouvem, num canal, as explicações da cozinha, noutro ouvem música e no terceiro ouvem música sintetizada a partir de impulsos elétricos de comida, como aspargos, bróculos ou abóboras. O evento vai repetir-se, mas ainda não tem data marcada.
Só que estes acontecimentos já não definem o Gazebo. Permitem um contacto com a comida e com a qualidade do serviço, mas este é hoje um restaurante para dining experiences, com qualidade e requinte, valores que são reconhecidos pelos clientes e pelos críticos. Em suma, o Gazebo Experience viu o seu percurso determinado pelo mercado e pela procura. O sonho de uma vida tranquila, tem de agora ser acomodado com o sucesso de um dos mais vibrantes espaços da Madeira.
À frente da cozinha, Filipe Janeiro é um criativo. Faz uma espécie de alquimia com o produtos, respeitando a sazonalidade e procurando sempre criar menus diferentes. A experiência de cinco momentos do Silent Beats foi um desses exemplos.
Na carta são usados produtos da quinta e de muitos produtores madeirenses. Mas a cozinha é de autor, criativa, com terroir e identidade. O padrão de qualidade é elevado e o percurso do Gazebo Experience não vai, certamente, ficar por aqui. Este projeto familiar vai continuar a crescer e a evoluir e de, de certa forma, continuar a ser ‘vítima’ do seu próprio sucesso. E isso é ainda mais importante, por se tratar de um restaurante independente, sem o apoio de uma grande estrutura hoteleira.

