Pelo terceiro ano consecutivo, Portugal vai ter um guia Michelin com propostas exclusivamente portuguesas e a gala de apresentação dos premiados acontece, também pela primeira vez, na Madeira. A data é 10 de março, no hotel Savoy Palace.
Segue-se um jantar, que tem o Chefe Benoît Sinthon, do Il Gallo D’Oro, como cozinheiro coordenador. Com ele vestem as jalecas Octávio Freitas, do Desarma (uma estrela), Francisco Avalada, do William (uma estrela), Júlio Pereira, do (recomendado) e João Dinis, do Casal da Penha (Bib Gourmand)
O jantar, previsto para 500 a 550 pessoas, será estilo cocktail, com várias estações de comida. Cada chefe vai trabalhar com as respetivas de cozinha e sala.
A gala será apresentada pela atriz luso-americana Daniela Ruah. Na passadeira vermelha, estará a chefe pasteleira Juliana Penteado. A animação musical fica a cargo da banda madeirense NAPA, cujo sucesso da Eurovisão, ‘Deslocado’, já tem mais 120 milhões de streams no Spotify.
A edição deste ano tem o lema ‘Madeira: A taste of the stars’. É uma oportunidade para divulgar os produtos da Madeira. Um exemplo vai para os vinhos que serão servidos ao jantar. Estarão dez referências madeirenses: três brancos, três tintos e quatro fortificados.
Esse facto é realçado por Benoît Sinthon, que fala “em mostrar a gastronomia e a tradição da Madeira, além do trabalho feito pelos produtores”. Trata-se, diz o chefe, de mostrar o melhor da Madeira. Todos os cinco chefes se conhecem bem e já cozinharam juntos. Por isso espera ter a tarefa facilitada. Peixe, lulas, produtos da horta, ou frutas estarão entre os produtos da Madeira.
Nuno Ferreira, responsável pela Michelin Portugal também atribui importância à realização da gala na Madeira, mas realça que em qualquer parte o objetivo é “posicionar”, na qualidade, património cultural, produto e tradições, contribuindo para divulgar mais “o posicionamento da Madeira a nível nacional e internacional como um destino de gastronomia”.
E a quem defende que a Madeira, por ser uma ilha, tem mais dificuldade em atrair inspetores Michelin, Nuno Ferreira responde que estes profissionais “são de 15 nacionalidades diferentes e viajam por todo o Mundo. Portanto, apanhar um avião para a Madeira, para a China, para o Brasil, ou para outro destino qualquer, faz parte do trabalho dos inspetores” e isso não altera o método, que é aplicado em todo o Mundo.
Portugal tem 46 restaurantes distinguidos com estrelas Michelin. Oito deles têm duas estrelas e seis ostentam a distinção de estrela verde, que reconhece a sustentabilidade da cozinha. O guia atribui ainda a 28 restaurantes a distinção Bib Gourmand, que qualifica uma boa relação entre a qualidade e o preço. E depois há dezenas de restaurantes recomendados.
Na Madeira há três restaurantes com estrelas. O Il Gallo D’Oro, com duas, e o William e o Desarma, cada um com uma. O Il Gallo D’Oro tem ainda uma estrela verde. No guia de 2025 o chefe madeirense José Diogo Costa, que esteve à frente do William, foi nomeado o jovem chefe do ano. E tem ainda oito recomendados e o Bib.
A Michelin também começou a atribuir chaves aos hotéis, em Portugal, tendo reconhecido 55 unidades, duas delas com três chaves, a distinção máximas, 13 com duas chaves e 40 com uma chave. Na madeira existem cinco hotéis com chaves Michelin.
Nuno Ferreira destaca que a experiência destes três anos de guia exclusivamente português tem sido positiva. “Temos assistido a uma grande evolução, ao longo dos anos, da gastronomia portuguesa”. Há 190 restaurantes referidos no guia, um número que tem vindo a crescer de ano para ano. Por isso, o responsável pela Michelin fala em “vitalidade da gastronomia e do trabalho dos chefes”.

