Gourmet

Novos sabores no Terreiro

O restaurante introduziu alterações à carta, mas mantém o conceito de comida de conforto, portuguesa e madeirense, com uma forte influência mediterrânica.

Autoria Paulo Santos

Na movimentada Rua Imperatriz D. Amélia, no Funchal, o Terreiro Restaurant afirma-se como uma das propostas mais descontraídas, mas nem por isso menos cuidadas, do Savoy Palace. Com um amplo jardim, esplanada e diferentes ambientes que oscilam entre a varanda e a sala interior, o espaço assume uma identidade clara: cozinha portuguesa e madeirense com influência mediterrânica, centrada no conceito de comida de conforto.

É precisamente essa ideia de conforto, aliada a uma leitura atenta do comportamento do cliente, que serve de base à nova carta do restaurante, uma evolução natural da anterior, mais do que uma rutura.

À frente da cozinha está o chefe Alejandro Nunes, que explica que as mudanças resultam de uma análise concreta: “Quando mudamos cartas, fazemos uma leitura de vendas. Há pratos que funcionam, e isso significa que estão a resultar. Por isso optamos por fazer pequenos upgrades, em vez de mudar tudo.”

Essa lógica é particularmente evidente ao almoço. A equipa decidiu reformular a chamada “sugestão do chefe”, fixando três dos pratos mais vendidos ao longo da semana: arroz de pato, arroz de polvo e bitoque com molho de cogumelos. “Agarrámos nos três best-sellers e mantivemo-los disponíveis todos os dias. São pratos que as pessoas procuram e que fazem sentido manter consistentes”, sublinha o chefe, à Essential.

Alejandro Nunes

Jantar com novidades

É ao jantar que surgem as principais novidades. A nova carta introduz pratos que reforçam a ligação à tradição portuguesa, com um toque contemporâneo: arroz de marisco, bife do acem, ou paletilha de cordeiro, servida com arroz no forno.

Ao mesmo tempo, o restaurante responde a uma procura crescente por opções vegetarianas. Surge assim uma cevada cremosa de cogumelos, acompanhada por salada de rúcula com mostarda e mel. “É a nossa cevadinha, muito madeirense, trabalhada como se fosse um risoto”, explica Alejandro Nunes, evidenciando a intenção de valorizar produtos locais através de técnicas familiares ao público.

Também a carta de sobremesas foi revista, num trabalho conjunto com o chefe executivo de pastelaria Pedro Campas. O resultado traduz-se num equilíbrio entre inovação e tradição.

Entre as novidades destaca-se uma sobremesa mais fresca, que conjuga frutos do bosque, merengue, lima e gelado de manjericão, pensada para responder a quem procura finais de refeição mais leves. Ao mesmo tempo, surgem propostas que reforçam a identidade portuguesa, como uma versão reinterpretada de pastel de nata e o “doce da casa”, que combina broa de mel, café de cevada, vinho Madeira e mascarpone.

Pequenos detalhes que fazem a diferença

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Apesar das novidades, a base da carta mantém-se fiel ao que já conquistou os clientes. Pratos como o franguinho ou o bodião continuam presentes, mas com ajustes subtis. “São upgrades”, resume o chefe.

No caso do frango, a alteração passa pelo acompanhamento e apresentação, como a substituição do tomate tradicional por tomate cherry numa salada algarvia, garantindo mais acidez, melhor textura e um impacto visual mais apelativo. Já o bodião mantém-se como entrada, servido em bolinhos, com polme de cerveja, maionese de alho fermentado e pickle de cebola.

Num restaurante que recebe tanto clientes locais como turistas, a forma como os pratos são comunicados assume um papel fundamental. A equipa de sala é preparada diariamente para esse desafio. O serviço é eficiente, com uma equipa atenta e dedicada, com atenção ao detalhe. Tudo isto gerido pela subchefe e Maria Correia.

“Nos briefings, orientamos a explicação dos pratos com esse objetivo”, explica Alejandro Nunes. A intenção é ajudar o cliente a compreender conceitos que nem sempre são imediatos, como a massada de peixe da costa com camarão, cuja riqueza pode surpreender quem não está familiarizado com este tipo de cozinha.

Uma experiência completa e descontraída

Para além da nova carta, o Terreiro mantém uma oferta diversificada: peixe do dia (como cherne, garoupa, pargo ou robalo), arroz de pato, polvo frito com arroz de tomate e coentros, menu infantil e serviço de take-away.

A experiência estende-se ainda à carta de bebidas, com cocktails de assinatura, incluindo opções sem álcool, e uma seleção de vinhos que cruza referências nacionais e internacionais.

A refeição pode terminar com um toque original: o “Manhoso”, um licor caseiro criado pela equipa, com notas de chocolate, lima kaffir, entre outros sabores.

Mais do que um restaurante, o Terreiro assume-se como um espaço híbrido, que ao longo do dia se transforma. Entre refeições, ganha vida como gastrobar, com cocktails, vinhos e momentos de convívio, muitas vezes acompanhados por música ao vivo.

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