O restaurante William, com uma estrela Michelin , no Reid’s Palace, a Belmond hotel, acolheu o terceiro jantar do ciclo “Madeira: A Taste of The Stars”, reunindo José Diogo Costa, chefe-executivo da casa, e três convidados: Benoît Sinthon (Il Gallo d’Oro, duas estrelas Michelin), Gonçalo Bita Bota (Oxalis, recomendado pelo Guia Michelin) e Júlio Pereira (Akua, igualmente recomendado). A noite começou com um cocktail acompanhado de sidra espumante da Quinta da Moscadinha e alguns acepipes, antes de serem servidos os cinco pratos que compuseram o menu colaborativo.
Em declarações à Essential, José Diogo Costa sublinhou o desafio de continuar a inovar ao terceiro jantar do ciclo. “É importante termos já feito dois jantares espetaculares. Aqui, no William, com o chefe Júlio Pereira, comigo, com o chefe Benoît Sinthon e com o chefe Gonçalo Bita Bota, vamos fazer coisas diferentes dos outros dois jantares”, afirmou.
O chefe explicou ainda que o menu foi pensado como um equilíbrio entre estilos e equipas: “É um prato de cada chefe, depois complementamos com a sobremesa. Há ainda os canapés, os petit fours e uma surpresa no final da noite.” Tratou-se de uma compota, que os clientes puderam levar para casa, criada em colaboração com a Companhia Portuguesa do Chá. “É alusiva ao Natal, com canela, cravinho, ingredientes muito madeirenses e pêro da Ponta do Pargo, com um pouco de amêndoa. Tentámos fazer o máximo de terroir madeirense.” A sidra servida no início reforçou também essa ligação à produção local, feita inteiramente a partir da maçã Barral.
Para Júlio Pereira, do Akua, estes jantares vão muito além do evento gastronómico. “Hoje comunicamos muito mais do que talvez acontecia noutra geração. Estes dias são especiais porque nos permitem estar entre amigos, partilhar experiências e misturar equipas”, referiu. O chefe considera que este intercâmbio tem impacto direto no trabalho diário: “A partilha é extremamente enriquecedora. Percebemos que os nossos problemas também são os deles e conseguimos crescer como pessoas e profissionais. Hoje a vida gira em torno das boas relações e do bom networking, e estes dias são muito ricos nesse sentido.”
O menu da noite começou com lulas, vieira e laksa, um prato aromático e condimentado do chefe Gonçalo Bita Bota, inspirado no Sudeste Asiático. Seguiu-se o peixe-espada fumado com molho de banana e maracujá, uma criação de Júlio Pereira que evoca sabores característicos da Madeira. O chefe anfitrião apresentou depois um charuteiro com aipo e folha de figueira, representando o Atlântico. Já Benoît Sinthon trouxe um dos clássicos do Il Gallo d’Oro: o pombo com aroma de eucalipto. A sobremesa foi criada pela equipa da casa e reinterpretou de forma doce a bebida tradicional madeirense pé-de-cabra, combinando chocolate, limão, cerveja preta e vinho seco.
Este ciclo de jantares serve também de preparação para a Gala Michelin Portugal 2026, que se realiza no Funchal a 10 de março e conta com Benoît Sinthon como curador gastronómico, reforçando o espírito colaborativo entre chefes.

