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O homem que leva os cães a passear

Carlos Cró treina e passeia cães, numa atividade que garante que os animais são sempre cuidados, mesmo quando os donos não estão.

Autoria Cláudia Caires Sousa|Fotos Miguel Nóbrega

Numa quarta-feira de fim de verão, perto das 10:00 horas, Carlos Cró passeava animado, na Estrada Monumental, um Pastor Alemão e um outro cão preto de raça indefinida. Foi de forma descontraída que contou a sua história e os primórdios da Dog Happy Time.

Em 2012 lançou-se ao desconhecido para abraçar a sua verdadeira paixão: os cães. Até então, Carlos Cró era lojista e dedicava-se apenas ao seu animal de estimação, um Pitbull, que precisava de passear pelo menos quatro vezes por dia, já que vivia num apartamento exíguo. Houve um dia em que teve o seu momento “eureca” e pensou que pagava para que alguém levasse o seu cão a passear. 

Pesquisou e não encontrou ninguém na Madeira a desempenhar essa função. “Comecei então com passeios e pet sitting, algo já comum noutros países”, conta. Aos poucos, a sua fama começou a correr pela Madeira. Embora o sucesso não tenha sido imediato, conseguiu, com afinco, conquistar os seus clientes. Alguns ainda estão consigo até hoje.

Em 2015, decidiu tirar uma formação na Canisport para se tornar treinador de cães. Hoje é um profissional reconhecido pela sua capacidade técnica, mas também humana. O seu amor por estes animais alegres e fiéis, espelha-se no seu olhar.

Mas o que esperar da Dog Happy Time? Uma lista abrangente de serviços: passeios urbanos ou de montanha, individuais ou coletivos, treino básico e avançado, transporte, serviço de férias — exclusivo e sempre com atividades diárias — e acompanhamento personalizado.

O que distingue Carlos Cró é a sua filosofia de trabalho. “Faço uma observação profunda do cão e converso com os donos antes de me comprometer. Avalio o comportamento, temperamento e as necessidades. Só depois traço um plano.”

O objetivo é claro. “Treino para que o cão seja não só obediente, mas também bem-comportado e equilibrado.” 

Nos passeios os cães vão sempre pelas trelas. Mas na praia por exemplo, em alguns dias, ou na serra, é possível libertá-los por algum tempo, para exercícios específicos e quando estão em ambiente controlado e têm um elevado nível de obediência.

Todavia, afirma perentoriamente que o verdadeiro trabalho é “dos donos”. Bastam cinco minutos diários de dedicação para fazer a diferença. Tal como com crianças, defende que é preciso dar limites e consistência. Para Carlos Cró, os cães não mentem: são o reflexo da energia e da dinâmica familiar.

A experiência que teve num canil revelou-se determinante na sua abordagem. Acompanhava cães de todas as idades e personalidades, muitos à espera de adoção. A missão era prepará-los e treiná-los para evitar devoluções. Essa vivência, embora exigente, foi uma verdadeira escola. “Aprendemos a lidar com todo o tipo de temperamentos e traumas, e isso deu-me uma visão muito mais completa do comportamento canino”, recorda.

Ao longo dos anos, já viveu a dor de perder cães com quem trabalhava diariamente. Encarar essas despedidas não é fácil, mas fá-lo com serenidade. “Custa muito, mas tento valorizar os momentos bons e aceitar que faz parte do ciclo da vida.”

Quando questionado sobre preferências por raças, a resposta é imediata: não tem uma raça preferida, já que todos os seus cães são adotados. Ainda assim, gosta de partilhar algumas características evidentes. Os Beagles são divertidos e teimosos, cheios de energia; os Pastores Belgas, inteligentes mas por vezes acelerados; os cães de caça, ágeis e fortes, perfeitos para aventuras na montanha, mas mais sensíveis na vida urbana; e os Labradores, dóceis e fáceis de treinar, mas exigem estímulo constante.

Carlos Cró é adepto de consistência, paciência e atividades positivas. Acredita que cada cão tem o seu tempo e há padrões que demoram a ser alterados. “O importante é que o animal saia melhor do que chegou à Dog Happy Time e que o dono leve as ferramentas necessárias para manter esse progresso”.

Por fim, revela que o mais apaixonante na sua profissão é resolver os desafios de relação com os donos.

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